“O povo preto de Ouro Preto é Ouro”; começa a 18ª CINE OP

"O povo preto de Ouro Preto é Ouro"; começa a 18ª CINE OP

“O povo preto de Ouro Preto é Ouro” foi a frase que ecoou na Praça Tiradentes na abertura da 18 CINE OP na voz de Maurício Tizumba. Com uma apresentação emocionante, recheada de ancestralidade e referências à MPB (Música Preta Brasileira) o festival deu início à sua maioridade com arte da mais alta qualidade.

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No coração do estado de Minas Gerais, centenas de pessoas enfrentaram o frio de 10 graus para ver o patrimônio vivo brasileiro, Tony Tornado, receber o troféu Villa Rica primeiro como uma coroa e depois erguer para cima com a mão fechada, fazendo alusão aos Black Panthers.

Em uma das cidades mais pretas do Brasil, que foi cruelmente construída através da tragédia da escravidão, a expressividade da cultura preta tomou um espaço que é seu por direito. O espetáculo de lançamento foi uma ode aos músicos que construíram a música brasileira e até hoje a sustentam: Cartola, Tim Maia, Dona Ivone Lara, Mano Brown… todos tiveram seu momento no texto introdutório.

Acima a apresentação de Tizumba, fazendo referência a Chico Rei, o Galanga. A música mencina a história do rei do Congo, que foi capturado pelos portugueses e levado ao Brasil como escravo. Sua esposa e filha foram lançadas ao mar durante a viagem. Chegando ao Rio de Janeiro, Galanga foi rebatizado como Francisco e trabalhou duro para comprar sua liberdade e a do filho. Ele conseguiu adquirir uma mina de ouro e libertou outros escravos. Com o tempo, construiu uma igreja dedicada às santas de devoção dos negros. Galanga morreu e seu filho assumiu a posição de Rei do Congado. Chico Rei é celebrado até hoje em festas populares em Ouro Preto, especialmente em janeiro, quando organizava solenidades no Dia de Reis.

“Reunir essa programação pensando no público e criando uma conexão com a cidade de Ouro Preto é um verdadeiro privilégio. Será uma verdadeira viagem pela música preta no Brasil, uma cineop musical que destaca a trajetória dessa música em seus vários estilos. Filmes que integram a nossa história, mostrando figuras como Tim Maia, Wilson Simonal, Pixinguinha e Lupicínio, em filmes históricos e contemporâneos. Tony Tornado foi escolhido como o grande homenageado desta edição, representando toda essa história. Ele é um precursor do movimento da música negra no Brasil, lutou pelos direitos civis em vários momentos de sua carreira e continua sendo um exemplo inspirador para todos nós. É um prazer poder reunir essa história e celebrar o legado da 18ª CineOP, deixando uma marca para a cidade de Ouro Preto e para a região”, disse Raquel ao Galilé.

ARTISTAS LOCAIS SE APRESENTARÃO NA CINE OP

Para valorizar ainda mais esse solo, a CINE OP contará com a presença de artistas de Ouro Preto e Região. O jornal Galilé já trouxe um pouco da história do filme que aborda o Relógio do Museu da Inconfidência. Além da produão audiovisual, as atrações musicais também fazem referência a cultura da região dos Inconfidentes. O DJ Patrida, artista independente da Cidade Patrimônio abrirá os shows na quinta (22), sexta (23) e sábado (24). Na sexta-feira, haverá uma emocionante intervenção de artistas locais, que prometem encantar o público com suas performances. Dany Maju, Movimento TT1, Alvesaxv, Caio Kinte, Comze e Osupa.jpg / Affluara Fotografia são alguns dos talentos que subirão ao palco para apresentar uma música autoral de seus repertórios. O objetivo é mostrar a diversidade e a criatividade dos artistas locais.

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Para entender um pouco sobre o tamanho desta representação, o Galilé conversou com Caio Kinte, um dos artistas que irá se apresentar nesta sexta. Na entrevista, o artista menciona suas principais influências musicais, como Criolo, Linn da Quebrada, Rico Dalassam e Rincon Sapiência. Ele se identifica com a poesia presente em suas músicas e encontrou semelhanças na maneira como escreve suas próprias composições. Rincon também estará na CineOP, no sábado (24).

“Minha vivência musical se passa por variados gêneros e estilos no decorrer do tempo, no entanto, as referências que impulsionaram meu início na música foram Criolo, Linn da Quebrada, Rico Dalassam, Ricon Sapiência. Posso dizer que me identifiquei com esses artistas na poesia que eles cantam, na maneira que passam a mensagem por palavras. Eles me ajudaram a acreditar que eu poderia também, pois vi algo ali na arte deles, na palavra, no refrão, que me lembrou eu mesmo quando pego a caneta para escrever. Sinto um reconhecimento vindo de outro grande artista local, o DJ Pátrida. É gigante a felicidade de tocar no mesmo evento de artistas que eu admiro e são referências pra mim numa cidade que é referência em atrações culturais brasileiras”, revelou Caio ao Galilé.

A cultura que há de vencer. Por isso ele tem altas expectativas para sua apresentação e acredita que entregará um ótimo trabalho. Embora fique um pouco nervoso por estar ao lado de artistas renomados, sente-se confiante e imbatível nos palcos. Sua música aborda questões sociais, e ele vê uma conexão estabelecida principalmente com Rincon Sapiência. A força de suas canções se expressa na força de sua voz e na maneira com que ele se coloca como artista. Quanto à presença de artistas locais de Ouro Preto e Mariana no evento, o entrevistado acredita que os artistas locais são os mais importantes em uma cidade.

“Acredito que os artistas mais importantes de uma cidade são os artistas locais. Não faz sentido trazer artistas nacionais para se apresentar na cidade se os artistas locais também não forem tratados com igual importância. Com toda certeza é possível afirmar que faltam espaços para a manutenção cultural dos artistas regionais.O Cine OP tem uma importante relevância cultural na região dos inconfidentes, eu acredito que o evento precisa focar cada vez mais nos artistas daqui, pois transformação cultural se faz com a valorização das comunidades e potencialidades locais”, finazlizou Caio ao Galilé.

Confira o que ainda rola hoje no CINE OP

ENCONTRO DA EDUCAÇÃO

  • Cultura Digital e os Desafios da Sociedade Contemporânea
    • 23/06 | Sexta | 17:00
    • Local: Auditório II – 2º andar – Centro de Convenções

LONGA | MOSTRA HOMENAGEM

  • Quilombo
    • 23/06 | Sexta | 17:00
    • Local: Cine-Teatro – Centro de Convenções

CURTAS | MOSTRA CONTEMPORÂNEA

  • Curtas | Mostra Contemporânea
    • 23/06 | Sexta | 18:00
    • Local: Cine-Praça

CURTAS | MOSTRA HISTÓRICA

  • Curtas | Mostra Histórica
    • 23/06 | Sexta | 19:30
    • Local: Cine-Teatro – Centro de Convenções

LONGA | MOSTRA CONTEMPORÂNEA + HISTÓRICA

  • Lupicínio Rodrigues: Confissões de um Sofredor
    • 23/06 | Sexta | 20:00
    • Local: Cine-Praça

CURTAS | MOSTRA PRESERVAÇÃO

  • Curtas + Média | Mostra Preservação
    • 23/06 | Sexta | 21:00
    • Local: Cine-Teatro – Centro de Convenções

ARTE LOUNGE + SHOW MUSICAL

  • DJ Pátrida + Tony Tornado
    • 23/06 | Sexta | 22:00
    • Local: SESC Cine-Lounge Show – Centro de Convenções

MÉDIA | MOSTRA CONTEMPORÂNEA

  • Caixa Preta
    • 23/06 | Sexta | 22:30
    • Local: Cine-Teatro – Centro de Convenções

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